sexta-feira, 9 de outubro de 2009

-Mário Quintana




"Procuras a perfeição? Não sejas tolo! A autenticidade é muito mais difícil."

Mario Quintana

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Fernando Pessoa

“Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.”

 
Alberto Caeiro

flores...


"algumas flores
teimam em viver

apesar do peso
apesar da morte
apesar de algumas

que teimam em morrer
apesar de tudo"

Alice Ruiz

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Os Ombros Suportam O Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

'E a glória eterna das crianças é que elas não começaram a perceber que a força dos adultos dependem principalmete do esqueciemento!'
Jack Kerouac

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Trecho "Satolep" - Vitor Ramil

'Sombra tenebrosa da rua ensolarada, eu avanço. Ele me aguarda na esquina, onde uma corrente de ar fio o embala. É um menino, mas reconhece minhas trevas. Parece certo de que o bonde soturno da Buxton, Guilayn, o ferro dos postes franceses, as frutas de pedra na fachada do Mercado ou o rangido das rodas da charrete emanam da minha fronte escura. Seus olhinhos amanhecidos evitam a noite que se demora nos meus; buscam a extensa e reta calçada banhada de sol, desejando-me motivado de energia a andar entre a gente atarefada e comum que transita sobre ela. Não poderei dizer 'faz frio, filho, podes adoecer'. É só um menino, mas como pequena e já indevassável sombra é que o vejo daqui, é que o vejo de toda parte. E não poderei dizer."

Vitor Ramil