''Ah! tudo era compreensível e contudo triste, embora belo. Ninguém sabia nada. Vivia-se por este mundo afora, ou cavalgava-se pela florestas e muitas coisas nos olhavam de maneira tão desafiadora, com promessas, ou provocando saudades: uma estrela durante a noite, um campânula azul, um lago de um verde como o dos canaviais, o olho de um ser humano ou de uma vaca; às vezes parecia que algo nunca visto, porém longamente desejado, ia de repente acontecer, como se fosse cair um véu diante de todos; depois passava tudo isso. Nada acontecia, o enigma não era decifrado, o encanto secreto não se desfazia; finalmente ficava-se velho, manhoso como o Padre Anselmo, ou então prudente como o Abade Daniel, sempre sem saber nada, esperando e à espreita."
Mostrando postagens com marcador Herman Hesse. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Herman Hesse. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 4 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
trecho de "Narciso e Goldmund" - Herman Hesse
"Creio", disse um dia "que uma folha ou um pequeno verme no caminho falam e significam mais do que todos os livros de uma biblioteca inteira. Algumas vezes, escrevo uma letra grega qualquer, um theta ou ômega e, quando entorto um pouco a pena, a letra se agita transformando-se em peixe; lembra frescura e umidade, o oceano de Homero e a água sobre a qual andou Pedro; a letra muda-se em ave, sacode a cauda, arrepia as penas, estufa o peito, ri-se e levanta vôo. Então, Narciso, você dá atenção a essa letras? Uma coisa eu lhe digo: foi com elas que Deus escreveu o mundo."
"Dou muita atenção a elas," repondeu Narciso, triste. "São letra mágicas e com elas se pode expulsar demônios. Entretando, é claro, elas não se adaptam as práticas das ciências. O espírito ama o sólido, aquilo que está feito; quer poder confiar nos seus sinais; ama o que é, e não o que virá-a-ser; o verdadeiro e não o possível. Não adimite que um ômega se transforme em cobra ou em ave. O espírito não pode viver na natureza e sim contra ela, somente como seu adversário. Então, Goldmund, agora você compreende que jamais será um sábio?"
"...contudo, hoje em dia, eu próprio não sei mais o que realmente quero e desejo. Antes, tudo era simples; simples como as letras da cartilha. Agora, nada mais é fácil, nem mesmo as letras. Tudo tem muitos significados e faces. Ignoro o que vai ser de mim; no momento não posso nem sequer pensar nessas coisas."
"Dou muita atenção a elas," repondeu Narciso, triste. "São letra mágicas e com elas se pode expulsar demônios. Entretando, é claro, elas não se adaptam as práticas das ciências. O espírito ama o sólido, aquilo que está feito; quer poder confiar nos seus sinais; ama o que é, e não o que virá-a-ser; o verdadeiro e não o possível. Não adimite que um ômega se transforme em cobra ou em ave. O espírito não pode viver na natureza e sim contra ela, somente como seu adversário. Então, Goldmund, agora você compreende que jamais será um sábio?"
"...contudo, hoje em dia, eu próprio não sei mais o que realmente quero e desejo. Antes, tudo era simples; simples como as letras da cartilha. Agora, nada mais é fácil, nem mesmo as letras. Tudo tem muitos significados e faces. Ignoro o que vai ser de mim; no momento não posso nem sequer pensar nessas coisas."
Assinar:
Postagens (Atom)

